Estamos em contagem decrescente.......







ÚLTIMA TIRADA


Manhã do dia 10 de Dezembro, nasceu fria com algum vento céu nublado, os marinheiros começam acordar lentamente, a boa disposição impera nos rostos ensonados daqueles que estão a poucos dias de fazer história, 2250 são as milhas que faltam para completar a “Volta ao Mundo”. Após o pequeno-almoço, formatura geral as 08:15, onde foi comunicado que a previsão de chegada a Base Naval de Lisboa se mantinha dia 23 às 11:00, e tinha sido cancelada a atracação em Argel. Depois de preparar o navio para navegar, desmontar a iluminação de gala, arriar vergas, brecear, montar escotas, etc. o trivial de um dia de desatracação, às 09:40 soa o apito do mestre do navio, faina geral, os marujos ocupam os postos de faina. Após algum tempo de espera pelo piloto, começaram a ser recolhidas as espias uma a uma, permitindo que o navio lentamente se afaste do cais, rumo ao porto mais aguardado por todos. A ansiedade é muita, pois são onze longos meses de muita saudade daqueles que nos viram partir, naquela manhã fria de Janeiro.
Nos próximos dias iremos cruzar todo o Mar Mediterrâneo, mar que se estende desde o Oceano Atlântico, a oeste, até a Ásia, a leste e separa a Europa de África, tem um comprimento de 3700 km e abrange uma área de 2 966 000 kmo . Está ligado pelo Estreito de Gibraltar, que separa a Espanha de Marrocos, ao Oceano Atlântico. Liga-se ainda ao Mar Vermelho e ao Oceano Indico pelo Canal do Suez, a nordeste, ao Mar Negro através do Estreito dos Dardanelos, e ao mar de Marmara pelo Estreito de Bósforo. Ao Mar Mediterrâneo pertencem ainda os mares Adriático, Egeu, Jónico e o Terreno. O mar mediterrânico é mais salgado e quente que o Atlântico, e praticamente não tem marés, o que leva a acumulação de matérias tóxicas nas águas costeiras, sendo um mar densamente poluído, este problema afecta gravemente o ecossistema marítimo e também o turismo. Vivem ao longo da sua costa cerca de 100 milhões de pessoas.
Ao fim de praticamente onze meses, chegou o mau tempo, estava guardado para a última tirada. Ao entrar no mediterrâneo, e como já se previa, mar com ondulação forte por vezes atingir 8 metros de altura e vento com rajadas superiores a 100 km/h. Vento este que já provocou sérios estragos no velame do navio (pano latino). Este estado do mar não é novidade para os mais antigos, pois já navegaram em condições semelhantes e por vezes piores, ao longo da sua vida no mar, já para os mais novos é como se fosse uma espécie de baptizo de mar, o verdadeiro baptizo, pois é aqui que se vê o estofo dos que realmente merecem ser chamados de “marinheiros”, mas há previsão de melhoria de tempo para o dia de amanha, mais precisamente ao final da tarde, no entanto não devemos baixar a guarda, é que para hoje a noite prevêem-se ainda piores condições.

Fotos da nossa estadia em Alexandria / Cairo

Ao primeiro contacto com a bela e intrigante Alexandria fica-se deslumbrado, uma mágica metrópole, situada estrategicamente no Mediterrâneo, local de diversas culturas e raças. Uma harmoniosa mistura de Gregos, Ingleses, Franceses, Arménios, assim como Judeus, Cristãos e Muçulmanos. A história está marcada por todo lado, nas suas fachadas, palácios, os museus e monumentos de diferentes eras estão espalhados pela Alexandria terrestre, mas muito ainda se encontra escondido no seu subsolo, ou na sua própria baía. Estando em Alexandria é ponto obrigatório a visita a famosa biblioteca inaugurada em 2003 no mesmo sitio da antiga, conhecida mundialmente. A cidade ficou famosa por se tornar na Antiguidade, o centro de todo o conhecimento do homem. Mais uma lufada de história e conhecimento foi a visita ao Museu Bazar do Papiro, foi por volta de 2200 a.c. que os egípcios desenvolveram a técnica do papiro um dos mais velhos antepassados do papel. A sua gastronomia rica em sabores, uma mistura de comida Árabe e culinária mediterrânica.
Estando tão próximo da capital do Egipto o Cairo onde se situam as famosas pirâmides de Giza, não podíamos deixar de visitar, local de uma grandeza histórica estrema. Viagem efectuada de autocarro, ao longo de 3 horas. A chegada ao Cairo iniciamos a visita ao famoso Museu do Cairo, com a sua fascinante história de cinco mil anos do Egipto. Onde podemos encontra jóias a grandiosas estátuas de granito dos deuses ás dinastias faraónicas, da vida quotidiana aos rituais fúnebres, tudo o que é cultura egípcia está aqui. É neste local que está exposto a magnífica colecção do tesouro do faraó Tutankhamon, tumulo descoberto em 1922 pelo arqueólogo norte-americano Howard Carter no Vale dos Reis, em Luxur, absolutamente intacto. Depois de um magnífico almoço num restaurante, situado nas margens do Rio Nilo, onde podemos apreciar alguma da gastronomia egípcia, partimos para uma tarde em que o ponto forte era a visita ás famosas pirâmides, já se notava alguma ansiedade por tão esperado momento, mas antes fomos contemplar a Cidadela de Saladino e a Mesquita de Alabastro de Mohamed Ali, uma das mais famosas do Cairo. Deste mesmo local situado no cimo de uma colina, pode-se ter uma percepção da confusa e caótica capital do Cairo. O grande Cairo tem 22 milhões de habitantes. Finalmente o momento mais esperado da visita as pirâmides de Giza (Kuéops, Miqueiros e Kefren). Paisagem maravilhosa, é curioso que em pleno deserto (é aqui que inicia o deserto do Sara) ver o contraste das pirâmides com a cidade em pano de fundo. Foi aqui que fiz o primeiro passeio de camelo, balanço desconcertante, enquanto se contempla aquela vista maravilhosa. Já a tarde ía longa, aproximava-se a hora de regresso a Alexandria, pela frente esperava-nos três horas de autocarro, mas antes e estando no Cairo, não podíamos deixar de passar pelo célebre mercado de Khan Elkhalili, para gastar as ultimas libras egípcias (peascas para os amigos), onde caminhamos entre egípcios apressados, turistas de todos os lugares, ouvimos musicas, rezas em árabe, onde se compra tudo aquilo que podemos imaginar, e onde mais uma vez o regateio é a alma do negocio.

Fotos da Tirada Goa - Alexandria


Marcha Da Sagres

ALEXANDRIA - EGIPTO


Segunda-feira 6 de Dezembro, aos primeiros alvores o navio já se encontra perto da entrada do porto de Alexandria, aguardando o embarque do piloto. Ao contemplar a cidade ao longe, facilmente compreendemos a sua grandeza. Cidade de Alexandria, esperada por todos e principalmente por aqueles marujos de mente aberta, e acima de tudo desejosos por conhecer tudo aquilo que é diferente do que estão habituados a conhecer. Pois são este tipo de homens com este espírito de descoberta que caracteriza o verdadeiro “Marujo Português”.
Alexandria é uma cidade do Egipto; com uma população de cerca de 4,1 milhões de pessoas, é a segunda maior cidade, e o maior porto comercial do país, servindo 80% das importações e exportações da cidade. Além disso, é um grande ponto turístico.
Alexandria estende-se por 32 quilómetros na costa mediterrânica do centro-norte do Egipto. É o local onde fica a famosa Biblioteca de Alexandria e é um importante centro industrial por causa do gás natural da cidade e dos poços de petróleo no Suez, uma outra cidade egípcia. Alexandria também foi um grande ponto de encontro entre a Europa, a África e a Ásia, pois a cidade beneficiou na ligação entre o Mar Mediterrâneo e o Mar Vermelho.
Nos tempos antigos, Alexandria foi uma das cidades mais importantes do mundo. Foi fundada em torno de um pequeno "vilarejo" em 331 a.C. por Alexandre, o Grande. Permaneceu como capital do Egipto durante mil anos, até à conquista muçulmana do Egipto, quando a capital passou a ser Futsat que foi depois incorporada no Cairo.
Alexandria era conhecida pelo Farol de Alexandria (uma das sete maravilhas do mundo antigo), pela Biblioteca de Alexandria (a maior do mundo antigo) e pelas Catacumbas de Kom el Shoqafaw (uma das sete maravilhas do mundo medieval). A arqueologia marinha em Alexandria estava em curso no porto da cidade em 1994, e tem revelado detalhes de Alexandria antes da chegada de Alexandre, quando aí existia uma cidade chamada Rhakotis, no Período Ptolemaico.

CANAL SUEZ


Depois de algumas horas de espera, finalmente, hoje 4 de Dez. pelas 07:00 iniciamos a travessia do Canal do Suez, embarcamos o piloto do canal e ao que parece uma equipe técnica, que na realidade mais se enquadra na categoria de comerciantes informais, e para espanto dos militares de bordo, pouco antes da formatura, quando se dirigiam para o poço vislumbraram o que podemos catalogar de “mercado semanal”, onde vendiam desde figuras características do país até telemóveis de qualidade duvidosa, integramos um comboio de 24 navios com destino ao Mar Mediterrâneo. Nos últimos dois dias tem se sentido o clima característico do deserto para a época, calor durante o dia e um frio quase extremo durante a noite, é neste período que os marinheiros que fazem quartos no exterior vestem, as já a muito tempo arrumadas roupas térmicas que foram necessárias no sul do continente americano, mas é com algum entusiasmo que desfrutamos do frio que embora no deserto, nos faz lembrar a estação do ano que se faz sentir em Portugal, já faltam menos de vinte dias para chegar a tão ansiado porto, Lisboa. Estamos a uma hora de concluir a nossa travessia de doze horas do canal do Suez, são neste momento 16:26 , e já se nota a o tempo a arrefecer, por nosso bombordo começa-se a vislumbrar a cidade de Port Said, os serviços para preparar o navio para atracar já estão concluídos.
Canal do Suez situa-se entre o Mar Mediterrâneo (Port Said) e o Mar Vermelho. O canal tem cerca de 162 km de extensão, 70 a 125 m de largura e 8 a 12 m de profundidade, tem uma capacidade para 96 navios. Divide o Egipto africano e a península do Sinai, que lhe pertence. Esta notável obra de engenharia faz parte de uma das principais rotas do comércio mundial. Em 1848 instituiu-se uma sociedade internacional para construir este canal, embora a preponderância fosse claramente francesa. As obras começaram em 1859, tendo sido inaugurado a 17 de Nov. de 1869 por Eugénia, esposa de Napoleão III, rei de França. Em 1956 foi nacionalizado pelo Egipto, causando uma onda de protestos a nível internacional. Em Junho de 1967 o canal foi ocupado por Israel na sequência de conflitos Israelo-árabes, tendo mesmo sido encerrado. Reocupado pelo Egipto em 1974, com a retirada de Israel da região do Sinai, foi reaberto. Este canal poupa a navegação entre o Indico e o Atlântico os cerca de 9000 km para a travessia do canal da Boa Esperança na África do Sul.

316º Dia de Missão


Hoje, 1 de Dezembro, Feriado Nacional. Foi neste mesmo dia que em 1640 se deu a restauração da independência nacional. Depois, de cruzarmos a zona conturbada do Golfo de Adem, onde se faz notar a forte presença das forças da Nato e de outras marinhas na protecção do muito tráfego marítimo existente nestas paragens. Tirada feita com muitas horas de vela, pois as condições favoráveis do vento assim o permitiram, durante a mesma, e com o navio a pairar, ao longo de duas horas aproveitamos para dar algumas braçadas nas quentes e salgadas (elevado teor sal) águas do Mar Vermelho. Chegamos a entrada do Golfo do Suez, onde permanecemos a pairar a espera do dia 2 de Dezembro, para navegarmos ao longo do Golfo do Suez e fundear no dia seguinte a entrada do CANAL do SUEZ para assim embarcar as autoridades para uma inspecção de rotina a qual é feita a todos os navios que fazem esta travessia. O calor já não se faz sentir tão ofegante, e para mal dos nossos pecados, mais uma vez navegamos em regime de água fechada, pois algum elevado consumo de água e o sistema de osmose inverso que parece tem algumas dificuldades em se adaptar as águas ricas em sal do Mar Vermelho, o que faz com que a sua produção de água doce diminua. Amanhã continuam os preparativos para a atracação de um dos portos mais aguardados pelos marujos da barca, não só por ser um dos últimos, (ficando só a faltar algumas horas em Argel), mas também pela história e cultura, já referida noutras crónicas, e a tão ansiada visita as famosas pirâmides do Egipto.
A poucos dias da tão anelada chegada a Lisboa (21 para ser mais exactos) o ambiente já se nota muito diferente, os ânimos elevam-se, onde já parece estarmos a navegar em águas nacionais, as saudades de casa e dos familiares já estão prestes a ser extintas e será com saudade que iremos recordar os mais de trezentos dias que fazem parte desta viagem que irá sem dúvida marcar a todos e cada um dos homens que navegaram cada uma das milhas, desta “ VOLTA DO MUNDO 2010