Ao fim de dez dias de tirada, onde cruzamos o mar de Java, o mar do sul da China e por fim o Golfo da Tailândia, e estando a cerca de 150 milhas de atracar em mais uma cidade, Banguecoque, capital da Tailândia, onde está previsto atracar amanhã, dia 9 de Novembro. Tirada que decorreu com alguma serenidade, mar calmo, temperaturas elevadas com muita humidade a mistura, a chuva por vezes a fazer-nos companhia com alguma intensidade. Tirada onde transpusemos pela quarta e ultima vez a latitude 0, desta feita do hemisfério sul para o hemisfério norte. Mares onde tem ocorrido algumas acções de pirataria, o que levou a ter que redobrar a segurança de presumíveis ataques vindos do exterior. Ao inicio da manhã do dia 09 de Out. embarcámos o piloto, que nos governou ao longo de três horas rio acima, onde atracamos na margem esquerda do rio Chau Phraya, tínhamos acabado de chegar a Banguecoque.

Banguecoque, é a capital e a maior cidade da Tailândia. Situa-se na margem esquerda do rio Chao Phraya nas proximidades do Golfo da Tailândia (ou golfo de Sião). Tem cerca de 10.061.726 milhões de habitantes. É a capital do país desde 1782.
Banguecoque é apenas uma abreviação do nome da cidade, que consta no livro dos recordes do Guinness como o maior nome de cidade do mundo: Krung Thep Mahanakhon Amon Rattanakosin Mahinthara Yuthaya Mahadilok Phop Noppharat Ratchathani Burirom Udomratchaniwet Mahasathan Amon Piman Awatan Sathit Sakkathattiya Witsanukam Prasit, possui 152 letra. Uma complexa rede de canais deu à cidade o epíteto de Veneza do leste. Ainda hoje os canais são ricos de trânsito e embarcações, habitadas como no passado, onde se têm também numerosos mercados
TAILANDIA, localizada no sudoeste asiático, sendo limítrofe, com o Laos e o Camboja, ao leste, Myanmar a Oeste, e a Malásia a sul. A Tailândia é também conhecida como Sião, que era o nome do país até meados de 1945.
Localização de Banguecoque na Tailândia
Ao passar mais um mês, e quando faltam 82 dias para o tão aguardado regresso a terras que nos viram partir para esta odisseia em volta do mundo. Hoje dia 1 de Outubro, primeiro dia da tirada rumo á Tailândia e sua capital Banguecoque, que é considerada a Veneza do Leste. Tirada de 1400 milhas (2592 km), onde está previsto atracar dia 9 de Outubro. Após 4 dias de estadia na capital da Indonésia, Jacarta, cidade que não deixa muitas saudades, com poucos locais de interesse, a cidade como um todo é suja, o seu trânsito louco e desorganizado, onde os engarrafamentos são colossais, o mar de pequenos motociclos que circulam nas suas artérias, provocando muita poluição no ar e muita poluição sonora, a sua atmosfera é irrespirável, considerada uma das cidades mais poluídas do mundo. O local de atracação, sendo um porto comercial, e longe do centro de Jacarta (cerca de 1 hora), também não ajudou. Temos de enaltecer o esforço que foi feito pela embaixada, que colocou a disposição do navio um autocarro a fim de transportar a guarnição para Jacarta e vice-versa.
Como fã incondicional da maior banda do mundo os “U2”, não poderia deixar passar a oportunidade de registar a sua passagem por Coimbra no próximo Sábado, onde iria estar presente, mas esta profissão tem destas coisas, ganha-se por um lado perde-se por, outro. Joãozinho para ti que é o teu primeiro grande concerto, desfruta desse grande momento, porque é único. Bom Concerto…
Ao cair da noite de 25 Setembro 2010
Publicada por Filipe Vieira à(s) segunda-feira, setembro 27, 2010Ao cair da noite do dia 25 de Setembro de 2010, encontramo-nos a cerca de 45 milhas do nosso próximo local de atracação, Jacarta capital da Indonésia, onde iremos atracar amanhã pelas 09:00. Durante os últimos dias onde cruzamos os mares das Flores e de Java. A chuva, finalmente fez a sua aparição, fazendo companhia praticamente todos os dias ao longo da tirada, dificultando a execução de algumas tarefas a bordo. São agora 20:00, navegamos na latitude 5 41 93 S e na longitude 107 15 60 E, ao rumo 270, á velocidade de 9.5 kn.
Jacarta é a capital e maior cidade da Indonésia. Situa-se na ilha de Java e conta com cerca de 18,2 milhões de habitantes na sua área metropolitana. Foi fundada em 1619 pelos holandeses com o nome de Batávia, junto à aldeia javanesa de Jacarta. Foi ocupada pelos ingleses entre 1811 e 1814. Tomou o nome actual em 1949.
Jacarta começou como um pequeno porto junto a um monte ao lado do rio Ciliwung no século XV. Alguns europeus falam de um povoado denominado Kalapa. Era o maior porto do reino hindu de Sonda. A primeira frota europeia foi portuguesa, e chegou à zona em 1513 com quatro navios procedentes de Malaca, em busca de uma rota para as especiarias e, em particular, pimenta. O Reino de Sonda fez um acordo de paz com Portugal para permitir que em 1522 os portugueses construíssem um porto com o objectivo de os defender contra o aumento de poder do Sultanato de Demak do centro de Java.
Jacarta fica na costa noroeste da ilha de Java, junto ao rio Coligue na baía de Jacarta, que é uma entrada do mar de Java. A parte norte de Jacarta assenta sobre uma terra plana, aproximadamente a oito metros acima do nível do mar, o que contribui para que se formem as habituais inundações. A zona sul da cidade é mais montanhosa. Há aproximadamente 13 rios que correm em Jacarta, sobretudo das partes montanhosas do sul da cidade para o norte e mar de Java. O rio mais importante é o Ciliwung, que divide a urbe em duas zonas: leste e oeste. Jacarta limita geograficamente com a província de Java Ocidental a leste e com Banten a oeste.
Inicio de manhã do dia 26 de Set. acordamos com muita chuva, previa-se uma atracação semelhante á de Xangai, um tanto ao quanto molhada. Felizmente desta vez o São Pedro está do nosso lado, a chuva parou momentos antes de atracar. Eram 09:00 locais quando passamos a primeira espia a terra, acabamos de chegar a Indonésia. Como tem sido habito, fomos recebidos por uma banda militar, algumas individualidades locais, e pelo Embaixador de Portugal em Jacarta, que no fim do dia nos recebeu na Embaixada de Portugal, onde fomos brindados com uma magnífica recepção.
Dia 18 de Set. chegou ao fim mais uma estadia, em mais uma cidade, Díli. Eram 08:40 quando o mestre apitou a faina geral, a guarnição ocupa os seus postos de faina, larga-se os cabos de amarração, e dá-se inicio a mais uma tirada. Após a nossa estadia na jovem nação de Timor, onde foram aproveitadas todas as oportunidades para recarregar baterias, para os últimos três meses de missão, onde desfrutamos das águas tépidas e suas praias de areia branca, onde saboreamos a maravilhosa gastronomia portuguesa (o famoso cozido a portuguesa, o teclado, o excelente peixe grelhado, etc.) mais parecia que estávamos algures, no nosso Portugal. Convivemos com os muitos militares portugueses, GNR, PSP, camaradas da marinha e outros lusitanos que se encontram nestas paragens nos mais variados serviços.
Dia 19 de Setembro, precisamente hoje celebramos 8 meses de viagem, 8 longos meses de saudade, saudade daqueles que nos viram partir, naquela manhã fria de Janeiro do cais Rocha Conde Óbitos em Alcântara. Domingo, primeiro dia de tirada, como é hábito, dia de alvorada surda, os marujos levantam-se aos poucos, pois o dia convida ao descanso, no exterior o sol quente, o mar esse sempre calmo, como praticamente tem sido apanágio durante toda a missão. Iniciamos mais uma tirada, de 1 150 milhas (2 129 km) que nos vai levar a Jacarta, capital do maior arquipélago do mundo (constituído por 13 677 ilhas) Indonésia, onde está previsto atracar na manhã do dia 26 de Set.
Aos primeiros alvores do dia 20 (principio de noite em Lisboa), chega a brilhante notícia via telefone, de que o glorioso vencia o rival Sporting por 2-0, finalmente uma alegria para o universo Benfiquista da Barca, pois este inicio de época não tem sido nada fácil para as cores encarnadas.
Depois de dois dias de alvorada surda, onde predominou o descanso dos guerreiros, acordamos ao som de mais uma alvora orquestrada pelo clarim do Mar. Calçoa, inicio da manhã com muita chuva, onde recuperamos a rotina diária, alguns dos serviços que ficaram pendentes do dia interior, como envergar a vela do sobre, e desenvergar o joanete a fim de ser costurado pela máquina que se encontra no paiol do mestre, manobra que requereu alguma destreza dos marujos do grande. Com o desenrolar da viagem o material começa a ceder ao desgaste do tempo, as costuras das velas começam a enfraquecer e com a força do vento.
DÍLI…
Díli situa-se na costa norte da ilha de Timor, onde é capital e simultaneamente distrito, onde é o mais pequeno e ao mesmo tempo o mais populoso de Timor Leste, com uma população de 150 000 habitantes, 20% da população do país, limita com os distritos de Manatuto a leste, Aileu a sul e Liquiça a oeste. A cidade de Díli é um centro administrativo e comercial com alguns traços portugueses, não tivesse sido uma ex. colónia. Ao longo da sua avenida marginal, onde permanece um local de comércio e lazer um destino favorito para passeios nocturnos e de fim-de-semana. A moeda oficial é o Dólar americano. O movimento desconcertante do trânsito, onde ser peão é uma aventura, as buzinas ininterruptas dos táxis em busca de potenciais clientes, cada vez que o olhar do motorista se cruza com um estrangeiro. As cores da cidade são o cinzento e o castanho, polvilhado de quando em vez por um verde opaco de algumas palmeiras e outras árvores centenárias que resistiram aos tempos de ocupação da Indonésia, quem chega de novo a cidade, estranha os imensos rios secos, onde despejam no mar o seu cascalho. As Nações Unidas permanecem no terreno, ainda com algum aparato apesar de a situação em geral estar a melhorar de dia para dia. País onde as infra-estruturas, ainda são precárias, mas o problema é que se trata de um país pobre e ainda muito jovem, mas que tem uma perspectiva de futuro próspera. País de apenas dez anos de vida, de uma nova nação, onde é um período muito curto, onde há problemas económicos sociais e estruturais. Embora a língua oficial seja o português, apenas 10% da população fala o idioma de Camões correctamente, apesar do grande esforço dos muitos professores portugueses que se encontram a leccionar por estas paragens longínquas. Esta pequena percentagem que fala português, concentra-se entre os habitantes que viveram no tempo da colónia portuguesa. Os mais jovens falam sobretudo o “tatum”, língua local que substitui o “bahasa” indonésio. Povo que viveu um dos piores massacre que a memória, massacre no cemitério de Santa Cruz, imagens que correram mundo e que jamais nos sairão da memória. A vida de um povo de guerrilheiros que sempre lutaram pela independência do país que amavam. Um olhar para um passado recente de muita dor e sofrimento, para todo este povo, aqui vai a minha sentida homenagem. VIVA TIMOR-LESTE…