Se é verdade que Ushuaia é a cidade mais austral do mundo, ou como muitos a apelidam La ciudad del Fin del Mundo, também é verdade que neste fim de mundo vivem 4 portugueses inseridos numa população de cerca de 45 785 habitantes. E se a temperatura média anual (4,7˚) característica da ponta sul de Argentum é fria, também nesse cóccix da América do Sul se faz sentir o calor e paixão Lusitana. Foi o que aconteceu a uma menina que nasceu na Vila Nova plantada à margem esquerda do Douro e que namora eternamente a cidade invicta numas férias passadas nas Canárias. Aproveitando uma das remansadas praias desta ilha espanhola, um charmoso oficial fuzileiro argentino, num acto de destreza não militar, arrebatou com desembaraço o coração desta filha de um também ele oficial da marinha e levou-a consigo para viver um romance eterno para Rio Grande, bem perto de Ushuaia, onde se encontra sediado o 5º Batalhão de Fuzileiros Argentino, um dos mais conceituados. Gostava de deixar uma especial saudação para esta tão simpática Senhora que recebeu a graça de Martinha Gaspar da Silva. Ao mesmo tempo queria alertar a guarnição que ela vai visitar a “Sagres” na cidade do fim do mundo.
O primeiro assentamento europeu na terra do fogo foi feito na zona de Ushuaia e a cidade foi fundada no ano de 1884. Um dos locais a visitar é o Museu do Fim do Mundo e o Museu Marítimo que fica no antigo presídio e se quiser provar a gastronomia local tem duas boas opções, Centolla, o caranguejo gigante de aguas profundas comum em regiões muito frias e/ou assado de cordeiro que é muito típico. Esquiar também é um bom meio de desfrutar desta localização tão a sul, a 26 km da cidade, Cerro Castor, um centro de esqui muito moderno, possui 23 pistas com todos os níveis, perfazendo um total de 24 km de pistas. Se decidir fazer um passeio à Isla Martillo, que serve de valhacouto aos pinguins de Magalhães poderá também observar a costa desde o mar e facilmente distinguir os edifícios importantes como os já referidos Museu Marítimo e Museu do Fim do Mundo. Também se podem observar os montes Olívia, Cinco Hermanos, as Fazendas Fique e Túnel, os montes Escarpados e o Rio Encajonado.
Acreditando nos sites de turismo o comércio de Ushuaia usufrui da isenção de impostos, Duty Free pelo que vale a pena dar uma volta pelas lojas pois por certo encontrará algo que lhe agrade. Segundo os referidos sites os bares da cidade dão por finda a sua labuta diária relativamente cedo. Aproveitem bem a beleza natural que Ushuaia tem para oferecer.
Saludos desde terras de Aquém Tejo
ex Mar “L” Armando Moreno
armo900@gmail.com
Localização NRP SAGRES
Fim-de-semana em que o rei Neptuno não deu tréguas, mar muito agitado (4 a 5 mts), ventos muito fortes (35 a 40 nós), fizeram com que tivéssemos de abrigar no golfo de São Matias onde permanecemos cerca de 24 horas á espera que o tempo desse oportunidade para rumar a sul.
Domingo de manhã o dia começa com alguma agitação, duas velas rasgadas, Mezena Baixa e Gávea baixa, esta ultima que me diz respeito, que se descoseu do gurutil até á esteira (cerca de 5 mts de costura) o que se viria a tornar num dia fora do normal pois tivemos que desenvergar a vela (retira-la da verga) leva-la ate ao paiol do mestre a fim de poder cose-la na maquina, tarefa essa que levou a tarde toda e o trabalho de 5 homens, eu, Mestre Teixeira, Mestre Meireles e os paioleiros: Mar/ M Carneiro (mêmê), Mar/ M Monteiro (Manel), depois do trabalho de reparação ter acabado foi necessário voltar a envergar a vela (coloca-la na verga), já era noite fazia-se sentir o frio gélido, apita a quarto (terceiro quarto) todo o pessoal comparece no poço, a expressão nas suas caras demonstra que já sabem qual vai ser o objectivo da faina, o contra-mestre de quarto descreve a manobra aconselha ao pessoal para se agasalhar pois o frio “Lá em cima” faz-se sentir com maior intensidade, os marinheiros do quarto: Cavaco, Belo, Rosa, Ferreira (mantas), Ferreira (sopinha de massa), Gomez, Moreira, Serrão, Pereira, Nogueira, Evangelista. São marinheiros como estes que levam a barca e o bom-nome de Portugal aos quatro cantos do mundo, eram 22:20 quando abandonámos o abrigo do golfo para rumar a sul.
Neste momento navegamos na posição 42º54´03S e 63º14´04W ao rumo 190º outro dia como tantos outros: alvorada ás 07:00, formatura para serviços as 08:30 durante estes apenas foi possível fazer uns ajustes na vela envergada no dia anterior, umas limpezas na secção e pouco mais pois as condições atmosféricas a isso nos restringem. Mais tarde veio o almoço, um prato do bem português bacalhau pois hoje é segunda-feira.
Grande abraço ....
Quinta – feira, 11 de Março de 2010.
Ao terceiro dia da nossa largada do porto de Buenos Aires não há muito para contar, os ventos frios de 24 nós que entram pela proa fazem-nos sentir cada vez mais perto das aguas mais a sul do globo, nunca antes navegadas por navios desta ARMADA , com uma vaga (ondas) de 2.5 a 3 mts já começamos a notar uma certa dificuldade em realizar as tarefas mais elementares, como tomar uma refeição ou simplesmente dormir. Na posição de 37º52´87´´S e 57º19´16´´W já se conseguem bater recordes em relação á latitude mais a sul da que alguma vês alguns de nós ou a grande maioria já esteve, a nossa proa de 218º e velocidade de 5 nós com 1800 rotações na maquina confirma que cada vez estamos mais perto de atingir as 1331.24 milhas náuticas (2465 km) que separam Buenos Aires de Ushuaia
USHUAIA :
Pequena, longínqua, atlântica e pacifica, serena e imponente.
Assim é Ushuaia. A cidade mais austral do mundo. Longe, toda a paz que pode encontrar.São pequenos porque aqui a natureza desprega toda a sua grandeza, estabelecendo com o homem um sincero impacto de mútua protecção.
Porque fica longe de tudo, porque é um pequeno ponto no mapa onde concentram-se paisagens variadas inimagináveis com a tranquilidade que ali se respira.
Grande abraço ...
Desde o inicio desta viagem tenho referido os portos pelos quais vamos passando, tambem as tiradas feitas entre cada um deles, bem como o nosso dia-a-dia, e tantas mas tantas vezes seja atracado seja a navegar penso nos camaradas que por cá passaram, as vivencias que tivemos a bordo e os seus preciosos ensinamentos,tambem se alguns deles terão oportunidade de voltar a cruzar os mares a bordo desta barca, outros sei que os seus dias de mar chegaram ao fim. Hoje quero dedicar este espaço a todos eles e dar a conhecer alguns desses camaradas, que todos os dias trazem a "SAGRES" no seu pensamento,, esta barca tem eternamente um lugar reservado nos seus corações. Se difícil é sair da prancha com a interrogação se talvez um dia voltaremos como guarnição, muito mais difícil se torna fazer este mesmo percurso sabendo que os nossos dias de mar terminaram, e a nossa missão como marinheiros desta barca será outra.
Desde que entramos a bordo desta escola do mar nos apercebemos que para disfrutar ao maximo do que esta maravilhosa barca tem para nos ensinar, temos de a conhecer como a palma das nossas mãos, senti-la como o nosso segundo lar, que de certa forma é bem verdade, porque assim como aprendemos as bases fundamentais da vida dos nossos lares, esta barca é o lar que vai ensinando as bases fundamentais da verdadeira vida no mar e é ao longo desta aprendizagem que criamos laços, não só com o navio mas também com os camaradas que partilham os seus conhecimentos e experiencias com os mais novos e que nos fazem ter um brio muito especial por esta barca. São estes camaradas que nos dispertam para a necessidade de dar continuidade ás tradições da barca, não só é necessário transmitir esses conhecimentos e tradições como também incutir o "ESPIRÍTO SAGRES", esse espiríto que nos faz sentir orgulhosos quando partilhamos os momentos vividos nas nossas viagens, como o prazer de ver as cruzes de Cristo nas brancas velas caçadas, e acima de tudo as amizades que nasceram a bordo, quer sejam nas melhores ou piores condições e que se continuam a celebrar seja num jantar de guarnições ou numa qualquer tasca a saborear a nossa cerveja de eleição. Estas palavras são um reconhecimento de todos aqueles que ao longo da sua carreira militar, em especial aos que prestaram serviço nesta barca, fizeram-no de forma dedicada, porque simplesmente o fizeram com gosto e orgulho e que no fim se aperceberam que com o passar do tempo a "SAGRES" foi cada vez mais fazendo parte das suas vidas e que ganhou a sua propria identidade até ser parte integrante de cada um. Mas há uma classe especial de marinheiros, são esses homens por quem sentimos orgulho quando os vemos no cais em dia de despedida e reforça mais ainda no dia em que nos recebem aquando do regresso, é a esses homens do mar que devemos retribuir com o mais puro respeito por todo o suor e alma que deixaram a bordo e que perdura agora e sempre. São aqueles que a "SAGRES" lhes corre nas veias tão vermelhas como as cruzes de Cristo, parafraseando um grande marinheiro que por aqui passou, " se algum dia cortar uma veia, saíram pequenos sobres e joanetes", é a essa classe de marinheiros que devemos agradecer por tudo que connosco pratilharam.
Um bem haja a todos.
"Para o Mestre Travanca, um grande abraço dos seus meninos"
Buenos Aires cidade maravilhosa, tudo aqui me fascina, cidade boémia de casas de tango, um estilo muito Europeu um pouco parecida com Madrid, ruas muito largas muitos espaços verdes muita vida... È facil perceber o porquê, a cidade simplesmente nos convida a descobrir não só os seus lugares e monumentos mais famosos, monumento a Evita monumento a Simon Bolivar etc... mas também aos seus mais singelos recantos, como é o caso do pitoresco bairro "BOCA" lar do famoso clube BOCA JUNIORS clube este de um tambem famoso jogador Diego Armando MARADONA, quem mais podia ser... é facil perceber, uma vez que visitamos este bairro, o porquê de tanto carinho não só por parte daquele jogador mas também pelo resto dos habitantes, tanto pelo clube como por este lugar, e não sei se por ser a parte mais antiga da cidade, emana um carisma e um espirito próprio que simplesmente nos faz querer que o relógio pare no tempo para puder disfrutar deste espirito até que o corpo nos peça descanso.
Ontem 6 de março, estive presente num grande espectaculo, como sou amante de futebol não podia deixar de estar em Buenos Aires e não ver o Boca Juniors no mitíco estadio "Bombonera" jogo esse entre o Boca Juniors e o Racing, ficando este 1-2 para o Racing, não fiquei surpreendido com o jogo jogado mas sim com o grande espectáculo dado pelas duas claques e pelo publico em geral, do principio ao fim do jogo, assim dá gosto ir ao futebol.
Sexta-feira 5 de março tive o previlégio de estar presente na embaixada de Portugal para um cocktail oferecido pelo Sr. embaixador de Portugal, cocktail esse de boas vindas da guarnição do N.R.P. Sagres.
Em relação á nossa estadia por Buenos Aires tem sido agradável ver a afluencia de pessoas a visitar os navios que por aqui se encontram, ontem 6 de março tivemos
perto de 23000 pessoas a visitar a nossa Barca.
São agora 21:00 , acabo de chegar ao navio, vi via internet o glorioso a vencer o Paços de Ferreira por 3-1, é este ano que somos campeões. Lá fora são milhares de pessoas a visitar os navios. O tempo tem estado excelente (muito calor), as baterias praticamente carregadas (e bem carregadas) para terça-feira partirmos para mais 11 dias de mar até Ushuaia terra do frio, a cidade mais a sul do mundo, está perto o primeiro marco da viagem, dobrar o famoso cabo Horn.
Um abraço a todos.
Buenos Aires – Cícero, uma das mentes mais versáteis de Roma antiga disse numa das suas testilhas ao César, “- Os nomes são inoportunos ó Julio!” Romanos na Argentina? Perguntam vós, estamos a entrar no campo da ficção científica não é? Pelo contrário, digo eu, estamos em Buenos Aires e por isso é necessário mencionar nomes. Mas que nomes inquirem vós. Não são nomes, é o nome, volto eu. O nome do médico argentino que se formou em Buenos Aires, que foi motard e, ainda que pareça facécia não cumpriu o serviço militar obrigatório por inaptidão física, sim o próprio. O nome? Pois claro, Ernesto Guevara de la Serna. El Che, el Che exclamam vós, não arremato eu. “Che” é um vocativo de natureza exclamativa e não um nome próprio. Os argentinos utilizam esta expressão para quando pretendem chamar a atenção de alguém, as suas origens provêm do dialecto indígena dos Quechua. E se por ventura nas ruas desta cidade, que até está geminada com a nossa Lisboa, alguém se dirigir a vocês por “Che”, enalteçam-se, pois esta é uma forma amigável e familiar que estes hispanoablantes utilizam na sua linguagem mais próxima e informal.
A capital de Argentum, com uma população de cerca de 13 milhões de habitantes, recebeu sucessivas levas de emigrantes, especialmente espanhóis e italianos cujos descendentes mantiveram viva a ligação com o velho mundo, ainda visível na arquitectura da cidade, na sua cultura dos cafés, espalhados por toda cidade, na comida e até no modo de se vestir.
Caminhar por Buenos Aires é uma opção agradável e relativamente simples. Aparentemente, metade dos automóveis que circulam são táxis, facilmente identificados pela pintura preta com capota amarela e a grande quantidade significa também que são relativamente baratos. Mas não façam isso. A melhor forma de conhecer a cidade é com um “Porteño”, contacte os Cicerones de Buenos Aires e faça um tour gratis de mão dada a uma ONG com serviços gratuitos de orientação e cujos guias são cidadãos empenhados e voluntários. Os passeios e itinerários são planeados de acordo com os pedidos dos visitantes. É uma possibilidade de conhecer a cidade pelos olhos e memórias de alguém que vive e respira Buenos Aires desde o dia que nasceu e aproveite a oportunidade de visitar alguns lugares fora dos circuitos turísticos habituais.
Uma ida à famosa El Caminito, uma das ruas mais pitorescas da capital que faz lembrar a New Orleans mais tradicional é obrigatória. E se for fã de banda desenhada vá a San Telmo visitar a estátua da personagem a que Joaquín Salvador Lavado, Quino para os amigos, deu vida em 1964 neste bairro antigo, associado à arte, à boémia, aos antiquários, ao tango e que por fim concedeu um espaço próprio no Caminito onde “ela nasceu”, uma praça só para esta menina de oito anos que detesta sopa e macarrão, um banco de praceta para que possa dividir a sua alma infantil de quem tudo inocentemente questiona com quem queira partilhar a sua companhia. Novamente os nomes não são inoportunos. Há que citá-lo. Quem? Mafalda pois, ou para quem preferir Mafaldinha, quem não se lembra dela?
Ainda que com os seus bairros tão distintos entre si, Buenos Aires convida a quem percorra as suas ruas a continuar sempre p’ vante, transportando-os pelos diversos ambientes citadinos sem que o visitante dê mostras de desconforto devido à mudança nas áreas envolventes. Tal é o caso do Bairro da Recoleta que é provavelmente o bairro mais caro e elegante de Buenos Aires. Puerto Madero, um modelo de recuperação de áreas urbanas degradadas, o Puerto era o antigo porto da cidade, recuperado e revitalizado para abrigar agora diversos restaurantes e casas nocturnas. Palermo é o maior bairro de Buenos Aires, considerado o pulmão da cidade devido aos seus diversos parques e jardins. Palermo Chico com as suas residências elegantes, Jardim Botânico, Jardim Japonês, Zoológico e Planetário. Palermo Hollywood, esta é a parte mais trendy de Buenos Aires, com as suas ruas largas e casas antigas, esta área recebe este nome porque é onde a maioria dos estúdios de televisão e dos produtores de filmes têm seus escritórios. Palermo Soho, onde pode encontrar lojas de moda, design e diversas alternativas gastronómicas. O centro oferece também infindáveis pontos de interesses desde a Catedral, várias praças e cafés, galerias e teatros até ao mui conhecido obelisco onde os Argentinos costumam ir festejar as suas vitórias desportivas. Aproveitem bem a estadia.
Un saludo muy fuerte a todos
Contactos dos Cicerones de Buenos Aires:
contacto@cicerones.org.ar
• Tel 11 5258 0909
• Tel 11 4431 9892
ex mar “L” Armado Moreno
(L5) armo900@gmail.com
Buenos Aires
Master, NRP Sagres
Arbue Services SA
Av. del Libertador 2216(1636) Olivos
Buenos Aires
Argentina
Ushuaia
Master, NRP Sagres
Arbue Services SA
Gob. Paz 317, piso 2
(9410) Ushuaia, Tierra del Fuego
Argentina
Punta Arenas
Master NRP Sagres
Agencias Universales SA
Av. Independencia 772
Punta Arenas
Chile